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Estações meteorológicas no Acre captaram erupção de vulcão submarino em Tonga

A erupção de um vulcão submarino em Tonga, em 15 de janeiro, desencadeou uma onda de choque na atmosfera que foi detectada por três estações meteorológicas no Acre. O estado fica a mais de 11 mil quilômetros de distância de onde ocorreu o fenômeno.

A descoberta foi feita pelo professor e pesquisador da Universidade Federal do Acre (Ufac), Foster Brown, com base na análise de dados das estações que estão instaladas em em Rio Branco.

O fenômeno desencadeou um tsunami que destruiu vilarejos e resorts e interrompeu as comunicações para a nação do Pacífico Sul. Tonga é composto por cerca de 170 ilhas, muitas delas desabitadas, a cerca de 3,3 mil quilômetros a oeste da Austrália. O vulcão Hunga-Tonga-Hunga-Ha’apai está localizado a quase 65 quilômetros da capital.

As estações mediram um pico de pressão por volta das 9h45 (horário do Acre), captando uma onda causada pela explosão do vulcão. O trajeto e a intensidade das oscilações avançaram pela atmosfera quase à velocidade do som.

“Essa erupção vulcânica foi impressionante e a explosão alcançou milhares de quilômetros na atmosfera. Li que em outros lugares do mundo estavam detectando isso com sensores. Olhei registros daquele dia e vi uma flutuação atmosférica, em poucos minutos tinha uma subida e uma descida, algo que é incomum. Fiz o cálculo e é basicamente o tempo que leva para uma onda de pressão vindo de Tonga, a mais de 11 mil quilômetros de distância. Fui checar nas outras duas estações aqui e deu a mesma coisa”, afirmou.

O pesquisador informou ainda que uma segunda onda foi detectada vindo na direção oposta. Essa, que teria passado por cima da África, foi calculada 26,5 horas depois da primeira.

“A onda foi em todas as direções. Então, tem uma que vem da outra direção, e no lugar de 11 mil quilômetros de distância, veio a 29 mil quilômetros, ou seja, chegou mais tarde e nós detectamos isso também aqui. Ela veio, passou pelo oceano Índico, depois pela África e chegou aqui. Mais uma prova de que a terra é redonda”, explicou.

Brown utiliza informações geradas por essas estações em um projeto de alcance trinacional entre Brasil, Peru e Bolívia, sobre gestão de risco e defesa civil. Além disso, os equipamentos fornecem dados sobre a qualidade do ar para o Ministério Público do Acre.

“Essas estações meteorológicas fornecem informações para o público em tempo real e podem gerar dados confiáveis para dimensionar processos na atmosfera. Além de dados sobre chuva, vento e temperatura, fornecem dados sobre eventos que acontecem a mais de 10 mil quilômetros de distância.”

Para o pesquisador, o episódio também serviu para confirmar novamente que só existe uma atmosfera no planeta Terra.

“Todos respiramos da mesma atmosfera, às vezes esquecemos o óbvio. A atmosfera é uma das partes da Terra mais sensíveis a mudanças, afeta a humanidade diretamente e é afetada pela humanidade.”

Consequências da erupção

 

Apesar da forte intensidade do tsunami, Tonga registrou três mortes em decorrência do desastre –isso porque a pequena nação insular é considerada uma das mais preparadas para desastres naturais.

Com anos de exercícios de tsunami, por conta de sua localização, muitos tonganeses conseguiram escapar em tempo para terrenos mais altos.

No entanto, como as ondas avançaram milhares de quilômetros e atingiram países com menos experiência neste tipo de desastre, incidentes foram registrados.

No Peru, por exemplo, duas pessoas que se afogaram em ondas excepcionalmente altas – que também fizeram com que um petroleiro vazasse perto da refinaria La Pampilla.

Ainda que o Brasil não tenha sido tocado pelas fortes ondas – que ficaram concentradas na costa do Pacífico da América, os efeitos do Hunga Ha’apai foram vistos também por aqui. No dia 27 de janeiro foi possível ver um céu mais colorido em diversas cidades do país. O evento foi causado pela presença das partículas do vulcão que seguem viajando pela atmosfera.

via: g1
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