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Ponte vai ligar município do AC a comunidade isolada onde fica Reserva Chico Mendes: ‘Benefício’, diz morador

Os moradores da Comunidade da Sibéria, uma das maiores de Xapuri, interior do Acre, e onde fica a Reserva Extrativista Chico Mendes (Resex), começaram a presenciar a realização de um sonho: a construção da ponte que vai ligar a comunidade ao Primeiro Distrito da cidade.

É que neste sábado (5) foi assinada a ordem de serviço que vai dar início a construção da ponte. A previsão é de que a obra seja concluída em dois anos. O valor da obra é de R$ 40 milhões.

Na localidade mora mais de 42% da população do município, tem fazendas, um assentamento do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), plantações de castanha, borracha, mandioca e milho e a Resex. O bairro foi criado em 1970 e era usado como acampamento por seringueiros que saíam da floresta e iam para a cidade para tratar de negócios.

O nome Sibéria foi dado em alusão à parte da União Soviética que ficava mais distante e isolada. Atualmente, cerca de 20 mil pessoas moram na comunidade e utilizam balsas ou catraias para atravessar o Rio Xapuri e chegar até o Primeiro Distrito do município.

A travessia pode ser feita até às 22h30. Após esse horário, a comunidade fica isolada do restante da cidade. O presidente da Associação de Moradores da Sibéria, Josimar dos Santos Silva, falou das necessidades dos moradores da comunidades.

“Beneficia os produtores que precisam levar a produção para a cidade: É como frisei, do lado de cá temos o assentamento do Incra, com mais de 180 famílias e toda a Reserva Extratativista Chico Mendes habitada, é uma necessidade grande. Hoje é totalmente impossível a gente viver da forma que estamos vivendo e temos necessidade urgente de que essa ponte seja construída nessa localidade”, destacou.

Arte mostra como será a ponte que vai ligar as áreas de Xapuri — Foto: Arquivo/Deracre

Arte mostra como será a ponte que vai ligar as áreas de Xapuri — Foto: Arquivo/Deracre

Comunidade isolada

 

Além de escoar a produção, a comunidade utiliza a balsa para ir até a área urbana da cidade para fazer compras, consultas, ter acesso aos bancos e outros atendimentos. Para isso, os moradores contam com balsas disponibilizadas pelo Departamento de Estradas de Rodagem, Infraestrutura, Hidroviária e Aeroportuária do Acre (Deracre) que fazem o transporte de pessoas, cargas e veículos.

Porém, por diversas vezes a população da comunidade ficou sem o serviço. Em 2019, por exemplo, a balsa foi interditada pelo Corpo de Bombeiros após relatório apontar que balsa estava deteriorada e correndo grande risco de inundação.

Uma balsa provisória foi alugada por R$ 50 mil na época para atender a comunidade.

Moradores da Comunidade da Sibéria têm acesso ao Centro de Xapuri por balsa — Foto: Eldérico Silva/Rede Amazônica Acre

Moradores da Comunidade da Sibéria têm acesso ao Centro de Xapuri por balsa — Foto: Eldérico Silva/Rede Amazônica Acre

Em 2020, a balsa voltou a ser interditada e operou com restrições. O Ministério Público do Acre (MP-AC) identificou aglomeração de pessoas e descumprimento de ações em combate à Covid-19 no local.

No ano seguinte, em 2021, um novo problema prejudicou a ida e vinda dos moradores. A balsa foi achada à deriva no rio após dois dias sumida. Na época, o Deracre disse que os cabos da balsa foram cortados em uma possível ação criminosa.

O órgão registrou um boletim de ocorrência e solicitou uma investigação para achar os culpados. .

“As dificuldades são grandes porque a balsa que temos do Deracre, com o fluxo, não suporta mais a demanda que o bairro e a localidade tem. A balsa funciona até às 22h30, a partir desse horário a comunidade e toda a população do bairro Sibéria já fica isolada”, contou o presidente da associação.

Balsa é utilizada para fazer travessia de moradores de Xapuri — Foto: Eldérico Silva/Rede Amazônica Acre

Balsa é utilizada para fazer travessia de moradores de Xapuri — Foto: Eldérico Silva/Rede Amazônica Acre

A recepcionista Aurelia Leitão, que trabalha na unidade de saúde do município, revelou que, em alguns dias, a espera pela balsa chega a durar três horas. Em outros dias, o motor da balsa não funciona e a comunidade fica sem fazer a travessia ou vai de catraia.

“Vai melhorar muita coisa, a questão da produção para vir para o lado da cidade para escoar os produtos. Tem a questão da demora da balsa, às vezes o motor quebra e tendo uma ponte vai facilitar a vida de todo mundo. A questão também de atendimento, emergências, às vezes tem que esperar a balsa, os trabalhadores chegarem. Tudo isso causa muito problema”, frisou.

Ordem de serviço

 

Com a presença do governador Gladson Cameli, a ordem de serviço foi assinada neste sábado para iniciar os trabalhos de construção. A estrutura de concreto terá 340 metros de extensão, com rampas de acesso.

Além disso, no evento, também será assinada a ordem de serviço para o cercamento do aeroporto de Xapuri, que está avaliado em R$ 1,3 milhão.

Ordem de serviço foi assinada neste sábado (5) em Xapuri — Foto: Eldérico Silva/Rede Amazônica Acre

Ordem de serviço foi assinada neste sábado (5) em Xapuri — Foto: Eldérico Silva/Rede Amazônica Acre

“Essa obra liga, basicamente, 50% do nosso território que fica desse lado da Sibéria. Aqui fica o projeto de assentamento, a Reserva Chico Mendes, 50% da nossa produção vem desse lado. Cerca de 50% da nossa produção familiar vem desse lado, então, é uma obra de grande importância e vai mudar, logicamente, o fluxo de pessoas, vai mudar toda parte de desenvolvimento sustentável da reserva, vai dar fluxo aos produtos como: madeira, borracha e outros. É indiscutível falar dos benefícios que vai causar a todas as famílias”, celebrou o prefeito de Xapuri, Bira Vasconcelos.

Segundo o gestor, cerca de 8 mil famílias serão beneficiadas diretamente com a obra. “O que esperamos é que a obra inicie logo e seja executada no prazo também. É um sonho do xapuriense. O bairro da Sibéria, que fica logo na beira do rio, tem 300 casas, e essas pessoas trabalham no Centro de Xapuri e só esse povo, cerca de 1,2 mil pessoas se dirigem ao Centro. São catraias, a própria balsa, e a logística é muito difícil”, complementou.

Colaborou o repórter Eldérico Silva, da Rede Amazônica Acre.

via: g1-acre

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