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Especialista em patologia das construções analisa queda de ponte no Acre

Em vídeo técnico, a engenheira civil Marília Araújo explica dinâmica hidrogeológica da Amazônia que pode estar por trás do colapso da estrutura

A queda da ponte Frei Paolino Baldassari, em Sena Madureira (AC), tornou-se objeto de debate técnico entre profissionais de infraestrutura urbana nas redes sociais. A engenheira civil Marília Araújo, especialista em patologia das construções e produtora de conteúdo focado em engenharia diagnóstica, publicou uma análise detalhada sobre as possíveis causas geológicas e hidrológicas que culminaram no colapso da estrutura de 232 metros de extensão, inaugurada em dezembro de 2023.

No vídeo, Araújo destaca que, embora o desabamento tenha ocorrido apenas dois anos e meio após a entrega da obra cujo investimento somou R$ 36 milhões , um desastre de proporções maiores foi evitado graças à interdição preventiva realizada dias antes pelas autoridades locais, fundamentada em uma vistoria que identificou anomalias físicas na cabeceira da pista.

A engenheira descarta teses iniciais comuns, como excesso de carga de veículos, falhas simples de manutenção rotineira ou processos avançados de corrosão de armaduras. Com base nos relatórios de imprensa e dados topográficos da região, Araújo aponta que o colapso estrutural pode ter sido desencadeado pelo fenômeno conhecido popularmente na região amazônica como “terras caídas”.

“É um fenômeno multi-causal que a maioria dos engenheiros nem estuda na faculdade. A correnteza do rio escava progressivamente a base da margem, composta por solo de areia, silte e argila, fazendo com que o terreno perca a sustentação subterrânea. Durante as cheias, a água infiltra e satura o solo. Quando a vazante chega e o nível do rio baixa de forma rápida, a pressão interna da água no solo não acompanha essa descida, provocando o deslizamento de massa”, detalhou a especialista.

A profissional ressaltou que fatores antrópicos e climáticos agravam o cenário: o desmatamento crônico das matas ciliares elimina a proteção radicular natural do solo, enquanto o regime de chuvas intensas acelera o desmoronamento da encosta, arrastando as fundações de estradas, habitações ou pontes erguidas no perímetro afetado.

Apesar de ponderar que um diagnóstico definitivo e conclusivo exige uma perícia presencial detalhada no local do acidente, Marília Araújo levantou questionamentos sobre o planejamento do projeto de engenharia civil executado no Acre, visto que o fenômeno hidrológico é amplamente documentado na literatura científica da região Norte.

A especialista listou pontos que julga fundamentais para a investigação do caso:

  • A profundidade e a abrangência dos estudos geotécnicos e de dinâmica fluvial realizados antes da implantação das fundações da ponte;

  • Se as análises de engenharia consideraram o comportamento sazonal extremo do rio Iaco (períodos de cheia, vazante e velocidade de declínio do nível da água);

  • A existência de um plano de monitoramento contínuo das margens do rio após a inauguração da estrutura.

Araújo aproveitou o engajamento do caso técnico para anunciar a realização da “Imersão Lucrando com a Patologia das Construções”, um treinamento digital gratuito voltado a engenheiros e arquitetos interessados em se capacitar na identificação, elaboração de laudos e diagnóstico de manifestações patológicas na construção civil, com inscrições abertas por meio do link de seu perfil digital.

Por:Contil Net

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