O presidente da Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), Nicolau Júnior, classificou como um momento histórico para o estado a entrega de mais de 1,6 mil máquinas, veículos e equipamentos destinados aos municípios acreanos e associações rurais por meio do Programa Inova. Durante entrevista concedida nesta sexta-feira, 05, em Rio Branco, o parlamentar ressaltou a importância dos investimentos, mas também aproveitou para cobrar a retomada dos serviços de manutenção da BR-364.
Segundo Nicolau, os recursos representam um reforço importante para as prefeituras e para o setor produtivo. “Com certeza, é um momento histórico do Acre. Mais de duzentos milhões de investimentos que vão ser distribuídos nesses equipamentos para os municípios, prefeitos e também para as associações rurais. Então isso, para nós, é importante”, afirmou.
O presidente da Aleac destacou que a aquisição dos equipamentos é apenas parte do desafio enfrentado pelos municípios, que também precisam garantir recursos para operação e manutenção das máquinas. “A gente sabe que manter uma máquina na prefeitura é muito caro. Tem que ter o combustível. O nosso combustível do Acre é o combustível mais caro do Brasil, mas graças a Deus o governo do Estado também está fazendo convênio com as prefeituras nesse momento que a gente precisa, que é o momento do verão”, destacou,
Durante a entrevista, Nicolau chamou atenção para a situação da BR-364, principal rodovia do estado, e fez um apelo à bancada federal para buscar a liberação de recursos destinados à manutenção da estrada. “Eu queria aqui deixar também uma reclamação. Na verdade, chegou até mim em relação à nossa estrada da BR-364, que se encontra parada de manutenção por motivo de pagamento. Então eu vou aproveitar a oportunidade também para pedir isso à bancada federal, que essa semana em Brasília peça ao Dnit Nacional para poder pagar essas empresas, para a manutenção continuar, porque a estrada… todo mundo que anda de Cruzeiro do Sul para Rio Branco é uma reclamação só. Ela se encontra numa situação muito complicada”, pontuou.
Ao falar sobre os desafios enfrentados pelos municípios, especialmente os mais isolados, Nicolau lembrou que os altos custos operacionais exigem apoio permanente dos governos estadual e federal. “Tem ideia? Em Jordão o litro do combustível é doze reais. Então, se uma máquina dessa ficar ligada três meses, vai dar mais de duzentos mil reais. O combustível é quase o preço da máquina. Então tem que ter o apoio do governo do Estado, tem que ter apoio das emendas federais e das emendas estaduais que estão chegando nos municípios também”, salientou.
Ele reforçou que apenas entregar equipamentos não resolve os problemas de infraestrutura. “Não adianta ter só os equipamentos nesse momento. Tem que ter o combustível, porque só vai ligar a máquina se tiver combustível para fazer os nossos ramais e dar apoio ao produtor rural”, observou.
O presidente da Aleac também destacou as dificuldades logísticas para fazer com que os equipamentos cheguem aos municípios isolados. “É bom frisar também como essas máquinas vão chegar em Jordão, Porto Walter, Marechal Thaumaturgo e Santa Rosa, porque agora o rio está secando. Eu acredito que não cheguem nesse verão, vão chegar só no inverno”, pontuou.
Segundo ele, o transporte para essas localidades depende exclusivamente de balsas. “São os municípios isolados: Jordão, Santa Rosa, Porto Walter e Taumaturgo, porque o rio já está seco. Só vai chegar através de balsa, e uma máquina dessa é pesada. Então você imagina a dificuldade. Isso aqui é um dia histórico para nós. Mais de 1,6 mil equipamentos. Isso aqui ficou para a história”, ressaltou.
O parlamentar também defendeu a continuidade dos convênios firmados pelo governo estadual para custear combustível e manutenção dos equipamentos. “As prefeituras passam por dificuldade e têm que ter o combustível. Por isso eu falo da questão dos convênios, que é importante. Convênios que o governo do Estado está fazendo, como o governador Gladson sempre fez e a vice-governadora Mailza está continuando fazendo porque precisa”, pontuou.
Ao comentar a situação dos municípios do interior, Nicolau citou o exemplo de Mâncio Lima. “O prefeito de Mâncio Lima está pedindo: ‘Minha governadora, eu quero cem mil litros para poder rodar aqui e fazer meus ramais’. Cem mil litros dá oitocentos mil reais. Então, de onde vai tirar?”, observou.
O presidente da Assembleia afirmou que o Estado precisa continuar apoiando os municípios para garantir o escoamento da produção rural. “Senão você não vai ter ramal, vai encontrar muita dificuldade, o produtor não vai tirar sua produção. Então a gente tem que estar sempre falando a verdade, com transparência, porque a gente tem que se unir para ter um Acre melhor”, observou.
Nicolau também destacou o papel da Assembleia Legislativa no apoio às cooperativas e associações que serão beneficiadas pelos equipamentos. “A Assembleia já vem ajudando com a parte técnica. A gente já trabalha desde o ano passado nessa cooperação. Esse termo foi só para referendar e colocar a Assembleia à disposição”, ressaltou.
Sobre a BR-364, o parlamentar voltou a cobrar providências do governo federal e do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). “A gente está há quase um mês de verão e está todo mundo reclamando da BR, que não melhora, que as empresas estão sem pagamento. Então a gente tem que apertar o Dnit Nacional. Está aqui a nossa bancada federal para cobrar, porque está no verão e toda a população que usa a BR está reclamando muito”, destacou.
Ao final da entrevista, Nicolau elogiou a união da bancada federal para viabilizar os recursos do Programa Inova e defendeu o modelo de compras centralizadas adotado pelo governo federal. “Foi uma ideia boa. O ministério trabalha com mais rapidez para entregar esse Programa Inova e isso diminuiu também a burocracia. Você vê que a compra é mais rápida e os equipamentos são mais baratos. Se você comparar o preço de uma máquina comprada por uma secretaria estadual ou municipal, é muito mais caro”, ressaltou.
Segundo ele, a aquisição em grande escala permite obter melhores preços junto à indústria. “Eu tenho certeza de que, quando você compra 200 milhões ou 300 milhões em máquinas, consegue um preço mais justo pela indústria”, pontuou.

